MIDRACH

MIDRASH: TROCARam JESUS POR BARRABÁS

Por · outubro 26, 2026

MIDRASH: TROCARam JESUS POR BARRABÁS

Texto-base: Lucas 23:18-25

Tema: Quando o homem escolhe o culpado e rejeita o Justo.

1. A multidão diante de duas escolhas

Em Lucas 23, Pilatos coloca diante do povo uma decisão: Jesus ou Barrabás. De um lado, Jesus, o Justo, que curava enfermos, restaurava vidas e anunciava o Reino de Deus. Do outro, Barrabás, um homem preso por sedição e homicídio.

A multidão gritou: “Tira este e solta-nos Barrabás!” (Lucas 23:18).

O midrash nos convida a refletir: como pode o povo escolher aquele que representa a violência e rejeitar aquele que representa a vida?

A resposta é profunda: nem sempre o homem escolhe o que é justo; muitas vezes escolhe aquilo que satisfaz sua vontade.

2. Barrabás: o culpado que saiu livre

Barrabás estava preso, condenado e sem condições de libertar a si mesmo. Porém, quando Jesus foi condenado, Barrabás foi solto.

Aqui encontramos uma poderosa ilustração da graça: o culpado sai, enquanto o inocente ocupa o lugar da condenação.

O texto bíblico não afirma que Barrabás se arrependeu ou compreendeu o que aconteceu. Mas podemos imaginar a cena: ele atravessa os portões da prisão e encontra a liberdade, enquanto Jesus caminha para a cruz.

Aplicação espiritual: Barrabás representa, nessa leitura simbólica, a humanidade culpada, que não consegue salvar a si mesma. Jesus, o Justo, aceita sofrer a condenação que não merecia.

Isaías 53:5 declara: “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades”.

O Evangelho nos revela uma troca extraordinária: o culpado recebe liberdade, e o Justo entrega a própria vida.

3. O significado do nome Barrabás

O nome Barrabás vem do aramaico Bar Abba, geralmente entendido como “filho do pai”.

Que contraste simbólico encontramos nessa narrativa! O povo escolhe Barrabás, o “filho do pai”, e rejeita Jesus, o Filho de Deus.

Não devemos confundir o significado do nome com uma afirmação de que Barrabás fosse filho de Deus. Aqui, fazemos uma reflexão homilética sobre o contraste presente na cena.

A pergunta para a Igreja é: será que estamos escolhendo apenas aquilo que parece familiar, conveniente e desejável, enquanto rejeitamos a vontade do Pai?

Há pessoas que querem as bênçãos do Reino, mas não querem o governo do Rei. Querem a liberdade, mas não querem o senhorio de Cristo.

4. Pilatos lavou as mãos, mas não apagou a verdade

Pilatos sabia que Jesus não merecia aquela condenação, mas cedeu à pressão da multidão.

A multidão gritou. Pilatos cedeu. Barrabás saiu. Jesus foi entregue.

O episódio nos ensina que a pressão popular não transforma uma injustiça em justiça. Uma decisão pode agradar à multidão e continuar sendo moralmente errada.

Quantas vezes o ser humano sabe o que é correto, mas escolhe o caminho mais conveniente para não enfrentar a oposição?

Quem deseja permanecer fiel a Deus precisa ter coragem para fazer o que é justo, mesmo quando a maioria escolhe o contrário.

5. A grande troca: Barrabás somos nós?

Agora chegamos ao coração deste midrash.

Barrabás não precisou vencer os soldados, abrir a prisão ou pagar por sua liberdade. Ele foi solto enquanto Jesus seguia para a cruz.

A narrativa nos faz olhar para nós mesmos: diante de Deus, não somos salvos porque somos perfeitos, mas porque precisamos da graça.

Romanos 5:8 ensina que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores.

Barrabás saiu da prisão naquele dia, mas a Bíblia não conta o que ele fez depois. A pergunta que permanece para nós é: o que faremos com a liberdade que recebemos por meio de Cristo?

Vamos voltar à antiga vida ou viver em gratidão Àquele que entregou a própria vida por nós?

Conclusão para a pregação

Igreja, naquele dia, a multidão fez uma escolha: pediu Barrabás e rejeitou Jesus.

Mas a cruz revela algo ainda maior: o Justo sofreu pelos injustos, para nos conduzir a Deus.

Barrabás recebeu uma liberdade que não podia conquistar sozinho. E nós também precisamos reconhecer que a salvação é graça, não mérito humano.

Hoje, a pergunta não é apenas quem a multidão escolheu há dois mil anos. A pergunta é: quem estamos escolhendo hoje?

Escolher Barrabás, nesta aplicação simbólica, é preferir os caminhos humanos quando eles se opõem à vontade de Deus. Escolher Jesus é abraçar a verdade, o arrependimento, a graça e a obediência.

Apelo final:

“Senhor, que jamais troquemos a Tua presença pelas vantagens deste mundo, a Tua verdade pela opinião da multidão ou a Tua vontade pelos nossos desejos. Que reconheçamos o preço da cruz e vivamos como pessoas verdadeiramente libertas por Cristo. Amém!”

Versículo para encerrar: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — João 8:32.